Projeto Interdisciplinar I – Atividade Prática Presencial Locorregional
Planejamento e Gestão de Projetos e Políticas Públicas
Em muitos municípios brasileiros, políticas e projetos públicos esbarram em dificuldades de
planejamento integrado, ausência de indicadores claros e baixa participação comunitária, o que
tende a comprometer resultados e a transparência dos processos. Um exemplo dessa fragilidade
aparece em diagnósticos recentes sobre gestão de resíduos sólidos e logística reversa, que
evidenciam limitações de planejamento e de monitoramento, além de impactos econômicos e
sociais associados à baixa capacidade de reaproveitamento de materiais e à pouca integração
entre atores e áreas da gestão.
Quando olhamos esse tipo de situação sob a lente da gestão de projetos, percebemos que
muitos problemas públicos não decorrem apenas da “falta de recursos”, mas também de falhas
em etapas decisivas: identificar corretamente as partes interessadas (stakeholders), definir o
escopo pactuado, organizar o trabalho por meio de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP),
demonstrar viabilidade e antecipar riscos. Na gestão pública, inclusive, é imprescindível lembrar
que a população beneficiária é stakeholder e precisa ser considerada no gerenciamento do
projeto.
Situação-Problema:
Você é estudante de Gestão Pública e atua em um território no qual projetos e políticas públicas
enfrentam dificuldades recorrentes de planejamento, execução e avaliação. O município
apresenta desafios para organizar o trabalho, alinhar expectativas entre atores, definir entregas,
monitorar resultados e sustentar decisões em contextos de recursos limitados — cenário que
tende a se agravar quando há mudanças de escopo, baixa mobilização de stakeholders e riscos
não mapeados.
Desafio Interdisciplinar:
Desenvolva uma investigação e intervenção prática no entorno do Polo EaD, com o objetivo de
analisar (e aprimorar) o planejamento e a gestão de um projeto ou política pública local (em
andamento, em fase de desenho, ou já concluído), mobilizando os conceitos estudados nas aulas
sobre stakeholders, escopo, EAP, viabilidade e riscos. Em especial, sua tarefa será demonstrar
como essas ferramentas ajudam a transformar um problema público em um projeto mais
realista, com entregas claras, governança definida e capacidade de antecipar obstáculos.
Passo a Passo da Atividade (duração estimada em 10 horas)
Diagnóstico Local Integrado
Escolha um projeto ou política pública com relevância no território do Polo EaD (por exemplo:
resíduos sólidos, mobilidade, saúde, educação, assistência, digitalização de serviços, cultura,
meio ambiente etc.). Em seguida:
1. Descreva qual problema público esse projeto tenta enfrentar (evite “pular etapas”: a
definição do problema real é uma etapa crítica).
2. Identifique quem são os stakeholders envolvidos (incluindo, obrigatoriamente, o público
beneficiário/população).
3. Apresente um diagnóstico breve do contexto: onde ocorre, quem executa, quem é
afetado, quais evidências iniciais você observa (ou imagina, se for hipótese).
[duração estimada em 2 horas]
Coleta e Organização de Dados
Agora, aprofunde o diagnóstico reunindo informações reais ou hipotéticas que ajudem a
compreender o projeto e seus stakeholders:
• Elabore uma entrevista estruturada (real ou hipotética) com um stakeholder
(servidor, gestor, conselheiro, liderança comunitária, usuário de serviço, representante
de organização social etc.), abordando:
o Como esse ator percebe o problema e o projeto?
o Que expectativas ele tem sobre as entregas e resultados?
o Que riscos, obstáculos ou conflitos ele antevê?
o O que seria “sucesso” do ponto de vista dele?
• Organize os dados em um quadro simples (tabela ou tópicos), distinguindo:
o Stakeholders diretos e indiretos;
o Interesses, expectativas e possíveis tensões (ex.: visões de mundo diferentes
no público beneficiário).
O estudante poderá imaginar, criar ou inventar uma situação hipotética, descrevendo em
condições abstratas o que acredita que encontraria na realidade. É fundamental que o aluno
deixe claro no texto que se trata de uma situação hipotética, baseada em sua percepção e
análise sobre o contexto.
[duração estimada em 2 horas]
Análise Integrada
Nesta etapa, você vai transformar diagnóstico e dados em organização técnica do projeto,
articulando escopo + EAP + viabilidade + risco.
1. Definição do Escopo (resultado pactuado)
Redija um parágrafo curto definindo o escopo do projeto (o que será entregue como
serviço/produto/resultado específico) e elencando, em tópicos, as macroatividades
necessárias (planejamento, controle, gestão de equipe, comunicação,
aquisições/contratações quando aplicável, e avaliação de resultados).
2. Construção de uma EAP (Estrutura Analítica do Projeto)
Elabore uma EAP simples, dividindo o trabalho “do todo para as partes”, com níveis e
subtarefas (preferencialmente entre 3 e 6 níveis, quando possível), e indique um
produto mensurável para cada nível/subtarefa.
3. Miniestudo de Viabilidade (tangível/intangível)
Em um quadro breve, identifique:
• Benefícios tangíveis (mensuráveis) e intangíveis (não mensuráveis), justificando por
que ambos importam na gestão pública.
• Recursos necessários (humanos, materiais, tempo e, quando for o caso, impacto
financeiro), destacando a lógica de custo-benefício.
4. Mapa de Riscos (com mitigação)
Liste pelo menos três riscos e como você os trataria, distinguindo:
• riscos conhecidos e desconhecidos (quando aplicável);
• ao menos um risco político, um jurídico e/ou um orçamentário (se fizer sentido ao
caso).
Produza, ao final, um breve relato (até 2.000 caracteres) explicando o que sua análise revela
sobre o projeto: pontos fortes, fragilidades, conflitos entre expectativas de stakeholders, riscos
críticos e implicações do escopo definido.
[duração estimada em 2 horas]
Proposta de Intervenção
Com base na análise, elabore uma proposta de intervenção criativa e viável para aprimorar o
planejamento e a gestão do projeto/política analisado(a), contemplando:
• Uma estratégia de gestão de stakeholders (como identificar, envolver, comunicar,
negociar expectativas e lidar com conflitos).
• Um mecanismo de controle de escopo (como evitar mudanças intempestivas e alinhar
entregas ao pactuado).
• Um uso prático da EAP para organizar responsabilidades, cronograma e
acompanhamento.
• Um plano mínimo de mitigação de riscos (o que fazer antes que riscos virem
“problema real”).
• Um argumento de viabilidade (por que sua proposta é exequível e por que os
benefícios superam a não tomada de decisão).
Justifique como sua intervenção contribui para uma gestão pública mais eficiente,
transparente, orientada para resultados e atenta ao interesse público.
[duração estimada em 1 hora]
Reflexão Final
Escreva uma reflexão sobre como as ferramentas conceituais de gestão de projetos
(stakeholders, escopo, EAP, viabilidade e risco) ajudam a qualificar decisões públicas em
contextos reais, marcados por múltiplos interesses, escassez de recursos e necessidade de
accountability. Aponte, também, como a presença do público beneficiário como stakeholder
altera a forma de planejar e avaliar projetos na gestão pública.
[duração estimada em 1 hora]
Orientações Gerais:
Utilize linguagem formal, clara e objetiva.
Divida o trabalho em tópicos conforme as etapas acima.
Inclua fotos, mapas ou registros visuais.
Cite as fontes utilizadas (normas da instituição).
A atividade deve ser realizada presencialmente, com registro de frequência assinado pelo
responsável do Polo EaD.
O trabalho será avaliado considerando: profundidade da análise, criatividade da proposta,
clareza da apresentação e articulação interdisciplinar.
Estrutura para Entrega:
1. Capa (nome, RU, disciplina, Polo, data)
2. Introdução/contextualização
3. Diagnóstico local integrado
4. Entrevista e escuta ativa
5. Mapeamento visual e narrativo
6. Proposta de intervenção
7. Reflexão final
8. Referências
Orientações para finalização do documento:
• Extensão do texto: entre 6.500 e 10.000 caracteres com espaço
• Formatação: Fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, espaçamento entre linhas de 1,5,
margens 3 cm esquerda/superior e 2 cm direita/inferior e texto justificado
• O número de páginas pode variar, a depender dos quadros, figuras ou tabelas que você inserir
no seu trabalho, e a variação no número de páginas não terá prejuízo sobre sua nota, desde que
o documento possua até 10 mil caracteres com espaços.
Critérios de Avaliação (Espelho de Correção) das APPLs
Curso: Gestão Pública
Disciplina: Projeto Interdisciplinar I – Atividade Prática Presencial Locorregional
Critérios de Avaliação
1. Diagnóstico Local Integrado
O que será avaliado
Percentual
Clareza na identificação do contexto locorregional, qualidade da
análise do território e consistência na apresentação dos dados
coletados.
2. Análise Integrada
(Quadro/Tabela/Mapa Mental +
Relato/ Entrevista e Escuta Ativa)
25%
35%
Capacidade de identificar pontos fortes e aspectos que carecem de
melhorias, objetividade e qualidade do relato crítico, clareza na
distinção entre situações reais e hipotéticas (quando aplicável).
3. Proposta de Intervenção
Criatividade, viabilidade e pertinência entre a proposta e o
diagnóstico, além do potencial de impacto real no contexto
locorregional da APPL
4. Reflexão Final
25%
Capacidade de articulação entre teoria e prática, profundidade da
reflexão sobre os processos da Gestão Pública, e impacto social
almejado pela APPL.
10%
Critérios de Avaliação
O que será avaliado
5. Estrutura, Linguagem e
Referências
Percentual
Adequação às orientações gerais, organização textual, normas de
finalização (extensão e formatação) e qualidade da apresentação
final.
Ficha de presença
5%
As notas atribuídas aos cinco critérios deverão ser descontadas caso a APPL
não venha acompanhada da ficha de presença devidamente preenchida e
assinada
Cabe aos professores corretores avaliarem qual será a proporção do desconto
aplicado.